O governo regulando os bancos e nós desenbolsamos

Depois de noticiado nos jornais e no comercial de alguns bancos, entrará em vigor, dia 01 de maio, a nova portaria sobre a regulamentação de tarifas de serviços pelos bancos. A Febraban anunciou nos jornais que se preocupa com a relação dos bancos com seus clientes, zela pela transparência e que deseja ajudar o cliente a poder comparar as taxas cobradas com facilidade.

Legal a idéia. O resultado, para mim, que sou cliente do Banco Real e do Banco do Brasil, é que no Banco Real deixei de pagar R$ 9,00 e passo a pagar R$ 19,00 e no Banco do Brasil passo de R$ 8,00 para R$ 19,00 pelos mesmos serviços. Para nos ajudar, o governo nos faz pagar ainda mais.

Os objetivos centrais da proposta são:

  • maior transparência e comparabilidade;
  • maior racionalização entre os produtos e serviços ofertados e os preços por eles cobrados;
  • melhoria no nível de informações aos usuários (ex: extratos e siglas neles usados).

A iniciativa não é ruim. Mas tenho dificuldade em encontrar quem tenha se beneficiado com ela.

Vergonha estadual

“Crime tributário não é causa para quebra de decoro. Amanhã, isso pode ser usado contra os senhores. Porque muitos aqui têm problemas fiscais.”
Francisco Dornelles, senador do PP-RJ, defendendo “tecnicamente” a absolvição de Renan (Veja, edição 2.026 – ano 40 – nº 37, de 19 de setembro de 2007)

Como diriam os baianos: Aonde?

Uma tremenda vergonha essa insinuação do senador Dornelles. Os próprios legisladores não se importando no cumprimento da lei e, pior ainda, usando uma brecha para justificar uma abolvição absurda? O senador sabe que está em erro, sabe que o senador Renan Calheiros está errado, mas…

Na página de Marcelo Crivella, outro senador do Rio de Janeiro, ele declara:

Para Crivella, voto secreto desgasta imagem do Senado

Comentando a votação pelo Plenário do projeto que pedia a perda do mandato do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) afirmou que o voto secreto desgastou a imagem do Senado. Disse esperar que Renan, como gratidão ao beneplácito do Plenário, se afaste ou tire uma licença e deixe os outros processos contra ele no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar serem julgados sem sua presença no comando da Casa. Crivella lembrou ainda que, se as seis abstenções se transformassem em votos favoráveis ao parecer do conselho, Renan estaria banido da vida pública até 2019.

O resultado da votação, nesta quarta-feira (12), foi 35 votos pela perda do mandato, 40 contrários e 6 abstenções.
Agência Senado, 12/09/2007

Tá… E cadê o voto do senador? Creio que também foi a favor da absolvição, como Dornelles. Não encontrei na página do senador nenhum meio de perguntá-lo diretamente como foi o seu voto e não acredito que valha a pena perguntar pelo e-mail oficial, mesmo com sua declaração de que “voto secreto desgasta imagem do Senado” talvez sua resposta seja exatamente “desculpe, mas meu voto é secreto”. Será que quebro a cara? Gostaria muito.

[atualização-03/10/2007]Tem vezes que estar certo não é bom. E adivinhar o que o Crivella responderia foi uma dessas vezes.[/atualização]

O terceiro senador é Paulo Duque. Está na vaga, se não me engano, de Sérgio Cabral. O que será que ele votou?

Além de meu descontentamento com o que aconteceu no senado, ainda maior descontentamento com a declaração de Dornelles e a percepção de que todos os votos do Rio de Janeiro foram a favor da absolvição de Renan Calheiros, não quero ser contado entre os de memória curta. Ficará registrado o que aconteceu para que eu não vote em nenhum dos três na próxima eleição. Quem colabora com o crime é cúmplice.

Quem souber de outras manifestações sobre os senadores de seu estado, por favor, me avise.

[atualização-03/10/2007]
Confira como votaram os senadores. E é interessante o detalhe que “o resultado divulgado pela Casa apontou que 40 senadores votaram pela absolvição, 35 pela cassação, enquanto outros seis se abstiveram. Ouvidos pelo Terra, no entanto, 41 senadores disseram que votaram a favor da perda de mandato.
[atualização]

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Há exceções na administração pública

É preciso divulgar e aplaudir as iniciativas que encontramos dentro do governo para o desenvolvimento. Infelizmente, podemos perder muito tempo pontuando as decisões burocráticas que emperram a evolução do nossa país e tão pouco tempo temos de conhecer e espalhar as boas atitudes. É impreterível, portanto, que sejam divulgadas e alardeadas, pois há bons exemplos de administração públicas no Brasil.

As belas exceções, ainda que em alguns casos possam ser medidas impopulares, demonstram a força de vontade e real desejo de trabalhar para o eleitor, o crescimento do país, a melhora da gestão pública, a criação de um ambiente propício ao verdadeiro plano de aceleração do crescimento, não aquele tapa-buraco divulgado pelo governo.

As micros, pequenas e médias empresas é que se favorecem com isso. E o mercado nos mostra o acerto em favorecê-las, pois elas crescem mais do que as grandes.

Ataque à burocracia

Insatisfeitos com a vergonhosa marca de 152 dias, em média, para a criação de uma empresa no Brasil, Alagoas criou uma forma de desburocratizar esse processo, principalmente para os micro e pequenos empresários. As Centrais de Atendimento Empresarial Fácil reúnem em um só local instituições municipais, estaduais e federais responsáveis pelo processo de legalização de empresas. Em Maceió, dos 124 dias anteriores, hoje já é possível abrir uma empresa em apenas seis dias. A Central funciona como uma linha de montagem, concentrando dez órgãos públicos em um mesmo lugar e com guichês dispostos na ordem ideal para análise dos documentos – um papel analisado é transferido para a mesa ao lado até a conclusão do processo. Todo os atestados e certidões negativas também são retirados na Central.

Ao todo, 24 documentos foram dispensados. Documentos que precisavam ter uma cópia para cada órgão, como a carteira de identidade dos sócios, só são exigidos uma vez, ou seja, uma cópia para todo o processo. Na capital, a criação da Central rendeu a regularização de 8 000 negócios e a taxa de arrecadação da prefeitura cresceu 140%. O projeto foi concebido e posto em prática pelo Sebrae alagoano.

Compras pelo computador

O volume de 3,8 bilhões de reais das compras do governo de Minas Gerais, o que comprometia o orçamento até para o pagamento do funcionalismo, incentivou o governador Aécio Neves a uma nova medida para gerenciar as compras, já que cada órgão realizava suas licitações separadamente. A solução, que concentrou as compras, foram os pregões eletrônicos. “Com essa mudança, ganhamos economia de escala e fornecedores”, diz Ana Cristina Braga Albuquerque, diretora da Superintendência Central de Recursos Logísticos e Patrimônio de Minas Gerais. Os pregões correspondem a 97% das licitações do estado, o primeiro a tornar obrigatório o uso de pregões eletrônicos para licitações de bens e serviços.

Com os pregões, os processos de licitação ganharam transparência, é aberto a todos os interessados, evita arranjos entre os concorrentes e joga os preços para baixo. A economia de Minas é de 803 milhões de 2003 a 2006, um ganho de 23% sobre o valor inicial das compras. A digitalização dos processo também permitiu um total controle, desde o planejamento até o pagamento. A tecnologia sendo usada para acelerar o crescimento e sendo um instrumento para os gestores públicos.

Cidade plugada

Aqui, a infra-estrutura montada para informática tem a mesma prioridade das redes de água, luz e transporte”, diz Franklin Dias Coelho, coordenador-geral do projeto Piraí Digital. O município fluminense, distante 80 quilômetros do Rio de Janeiro, desde 2004, incluiu seus 23 000 habitantes no mundo digital. O projeto atende às escolas municipais, que deixaram de usar o computador apenas na aula de informática, e permitiu um convênio com as três universidades públicas do Rio de Janeiro. Os alunos formados no Ensino Médio podem estudar sem sair do município, pois as aulas são disponibilizadas pela internet. Pela cidade e nas zonas rurais, foram dispostos quiosques digitais para que a população possa acessar ofertas de emprego, serviços da prefeitura, reclamações e pedidos por uma ouvidoria online, cotações de produtos dos campos, preços de insumos, além de ter à disposição 25 000 endéis gratuitos.

O prefeito de piraí, Luiz Fernando de Souza – atual vice-governador do Rio de Janeiro -, usou o programa de financiamento do BNDES para modernização tributária dos municípios. Ele descobriu que o valor gasto para conectar as secretarias era suficiente para incluir as escolas da região e também terminais públicos. A complementação do orçamento se deu na parcerias com empresas instaladas no município. A cidade conquistou três prêmios internacios e três nacionais pelas instalações da rede híbrida de banda larga. Em uma reportagem da Newsweek, em 2006, sobre oferta de acesso à internet, Piraí foi uma das conco apontadas, ao lado de Nova Iorque, Londres, Tóquio e Auckland. A afirmativa de Flanklin Dias Coelho sintetiza o desenvolvimento proporcionado: “No passado, investir em estradas era a forma mais rápida de conseguir o desenvolvimento. Atualmente o caminho do crescimento são as infovias”. Veja os prêmios conquistados na página do projeto (http://www.piraidigital.com.br/).

Combate à informalidade

Porto Alegre resolveu lidar com o mercado informal dos camelôs criando os centros populares de compra (CPCs), um investimento de 12 milhões de reais (bancado pela iniciativa privada), com o propósito de transferir e formalizar os camelôs. A prefeitura busca um valor compensador que convença os ambulantes a irem para os CPCs. Esse valor é calculado de acordo com o custo atual para estocagem e transporte diário que os ambulantes têm com suas mercadorias, praticamente fazendo com que os camelôs continuem com os mesmos gastos, mas agora legalizados e fazendo com que a prefeitura aumente a receita alargando a base de contribuintes, ao invés da alternativa costumeira, aumentar impostos.

O incentivo para a legalização da economia, uma das prioridades da atual administração gaúcha, foi a agilização no tempo para liberação do alvará de funcionamento. O que antes demorava 20 dias, passou para 15 minutos. Para os que não possuem todos os documentos em ordem, é expedido um alvará provisório para que se regularize a situação, medida já em uso desde setembro do ano passado. Já são mais de 1 000 alvarás provisórios expedidos, mais uma ferramenta para o combate aos 40% de ilegalidade da economia local.

O programa foi concebido pelo prefeito, José Fogaça, quando este assumiu o cargo, junto com o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, que ofereceu seus técnicos e os da Fundação Christiano Ottoni, de Minas Gerais, para ajudar a prefeitura a adotar ferramentas modernas de gestão e treinar os funcionários. A verdadeira PPP.